Bare Naked

 

Teresa Canto Noronha, com “Bare-Naked” apresenta um conjunto de peças autobiográficas que nos transporta pela vida da artista. “Selfie” logo a primeira dá entrada na exposição. A um tempo lembra-nos a paisagem Açoriana e representa o nascimento biológico da artista. A segunda “S/Título” duas semiesferas em calota recobertas de fotografias da artista e da sua mãe em vários estádios temporais, ligadas pelo exterior, tocando-se sem se observarem. A seguir “Void” a mesma forma das anteriores e com o mesmo tratamento imagético mas propositadamente solitária. “Folículo” a peça seguinte reflecte a angústia da infecundidade feminina, a única peça da instalação que introduz a questão de género. “OMG #2” é a peça que fecha o percurso biográfico a forma de bomba representa o fim de um período na vida da artista. Este percurso do auto-conhecimento através de formalidades burocráticas e mundanas dá-nos a urgência necessária para desancorar de vidas anteriores.

A instalação/escultura aqui apresentada será para alguns escandalosa por desnudar algo que por norma se mantém privado. “O facto de se representar não anula, no que respeita ao representado, a inerência de irrepresentabilidade (do mesmo modo que o facto de termos esquecido o inesquecível não altera a sua natureza de inesquecível, apenas põe à vista que não estamos já em condições de reconhecer aquilo que merecia ser lembrado por nós), mas arrasta consigo uma incapacidade em aceitar que haja irrepresentável, uma vez que está à nossa frente é visivelmente representável (…)